A final dos horóis e quase heróis
Mais uma final de Champions League e mais um jogo de emoções, estatísticas e final inesperado. As duas zebras eliminaram os favoritos e chegaram na final surpreendendo o mundo e cheias de desfalques. Até quanto esse fator iria interferir no resultado somente veríamos em campo.
Toda essa tensão começou há muitos anos, quando analisamos as coinscidências: em 2001 o Bayern de Munique foi campeão nos penaltis após 1×1 no tempo normal e prorrogação contra o Valencia. O curioso é que dois anos antes tinha perdido o título para o Manchester United por 2×1 de virada naquela fatídica final em que levou os dois gols nos acréscimos do segundo tempo. Poderiam aquelas situações se repetir nesta temporada, já que dois anos atrás perdeu o título para a Inter de Milão e tem nova chance após dois campenatos. Já o Chelsea se destaca por perseguir esse título desde que se tornou um milionário do futebol e chegou a nove Champions League seguidas e uma final, onde perdeu nos penaltis também para o Manchester United após um lamentável escorregão de John Terry na última cobrança.
Deixaria o Chelsea novamente a decisão chegar aos penaltis para perdê-la? Ganharia novamente o Bayern após perder uma decisão há dois anos? Levaria novamente gols no final da partida e perderia?
Um pouco disso tudo aconteceu na final: após domínio do Bayern o jogo todo, como contra o Manchester em 1999, abriu o placar aos 83 minutos, substituiu um jogador de frente importante para reforçar a defesa – bem similar ao que fez também em 1999 – e viu o adversário, que se defendeu o jogo todo e conseguiu seu 1º escanteio aos 88 minutos fazer o gol de empate após ter tido apenas três chutes ao gol até ali. Estava armado o desespero na memória da torcida do Bayern pois nos acréscimos Didier Drogba teve uma chance de falta. Faria novamente nos acréscimos após o Bayern ter dominado toda a partida?
Isso nos leva aos herois e vilões: o 1º e maior deles é o próprio Drogba, que foi de herói devido a seu gol de cabeça na única chance real que teve no jogo – mesmo desperdiçando a cobrança de falta decisiva em seguida, citada acima – a vilão pelo penalti bobo que fez na prorrogação e poderia ter posto tudo a perder. Dai vamos ao 2º caso de heroismo, pois Petr Cech tinha falhado no gol do Bayern, anotado por Thomas Muller – que só estava em campo pela suspensão de Luis Gustavo e poderia ser o herói dependendo do resultado final, mas foi substituido equivocadamente logo após seu gol – em uma cabeçada para baixo e que parecia defensável. Mas dai foi lá e pegou a penalidade máxima batida na prorrogação por Arjen Robben – este sim, apenas vilão no jogo, do começo ao fim – e deixou a decisão em aberto para as cobranças de penaltis.
Ai temos dois quase heróis em campo, que na classificação para a final vencida nos penaltis contra o Real Madrid foram os heróis: Manoel Neuer defendeu logo a 1ª cobrança do Chelsea, de Juan Mata, depois converteu sua cobrança (!), mas foi só. Seria uma redenção ao gol que levou de cabeça de Drogba, que apesar de potente foi em cima dele, e optou por tentar a defesa com um só braço, no reflexo, e se deu mal. O 2º deles e mais frustrante foi o craque Bastian Schweinsteiger, que anotou o último penalti contra o Real com a maior calma e não conseguiu repetir esse feito contra o chelsea, perdendo a última cobrança.
Talvez sua calma tenha sido maculada pela presença do verdadeiro herói Cech, que defendeu a cobrança anterior de Ivica Olic e se redimiu de vez. E depois teve que assistir ao herói máximo Drogba converter – ele sim com a maior calma – a cobrança decisiva e correr para a taça. Depois restou apenas o afago dele ao sofrimento de Bastion.
O antifutebol venceu mais uma vez na histótia moderna, talvez seja uma tendência para o futuro, mas em nenhum momento podemos desmerecer o Chelsea, que com esta fórmula eliminou o atual rei do futebol na semifinal e levou seu tão sonhado troféu para Londres.
Nem Barça, nem Real.
Favoritismo não é nada. Barça e Real foram cotados por todos os especialistas como os favoritos a estarem em Munique no dia 19 de maio. Além dos especialistas, o povo aclamava por uma final entre as duas grandes equipes, talvez, as melhores da atualidade.
Mas não é de palpite, de favoritismo e de estatísticas que o futebol vive.
O Chelsea – que vem com uma campanha mediana na Premier League e corre grande risco de não jogar a próxima edição da Champions League -, desbancou o Barcelona jogando como time pequeno, com duas linhas de 5 jogadores, quase todos sem passar da intermediária defensiva.
Já o Bayern tem chance de fazer história em casa depois de desclassificar, nas penalidades, os Merengues de Madrid. Para se ter idéia, os únicos time que venceram a Champions League em casa foram: Real Madrid, no Santiago Bernabeu, em 1957 e Internazionale no San Siro, em 1965.
Só isto já deve ser o aperitivo suficiente para que o jogo se transforme em algo histórico, assim como as finais dos anos anteriores. Haja coração! E o Perigo de Gol estará em Munique para acompanhar esta grande final!
Meu palpite é para a vitória dos donos da casa, levando o pentacampeonato da competição.
Em tempo: pra decidir final de campeonato de bairro, eu nunca colocaria o Cristiano Ronaldo para bater um pênalti.
Recordar é viver II
No futebol é muito perigoso definir o favorito com tanta certeza do jeito que estão fazendo com Barça x Chelsea de hoje.
Em 2005 o Barça de Ronaldinho era favorito contra o Chelsea (novo rico na época) de José Mourinho e veja o que aconteceu!
1º jogo
BARCELONA
1-Victor Valdés; 2-Belletti, 5-Carles Puyol, 4-Rafael Márquez, 12-Giovanni van Bronckhorst; 22-Demetrio Albertini, 6-Xavi, 20-Deco; 8-Ludovic Giuly, 10-Ronaldinho, 9-Samuel Eto’o
Técnico: Frank Rijkaard
CHELSEA
1-Petr Cech; 20-Paulo Ferreira, 6-Ricardo Carvalho, 5-John Terry, 13-William Gallas; 30-Tiago, 4-Claude Makelele, 8-Frank Lampard, 10-Joe Cole; 15-Didier Drogba, 22-Eidur Gudjohnsen
Técnico: José Mourinho
2º jogo
BARCELONA
1-Victor Valdés; 2-Belletti, 5-Carles Puyol, 23-Oleguer, 12-Giovanni van Bronckhorst; 14-Gerard López, 6-Xavi, 20-Deco; 24-Iniesta, 10-Ronaldinho, 9-Samuel Eto’o
Técnico: Frank Rijkaard
CHELSEA
1-Petr Cech; 20-Paulo Ferreira, 6-Ricardo Carvalho, 5-John Terry, 13-William Gallas;, 4-Claude Makelele, 8-Frank Lampard, 10-Joe Cole; 11-Demian Duff; 9-Mateja Kezman, 22-Eidur Gudjohnsen
Técnico: José Mourinho
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