A volta do que não foi?
Neste início temporada estamos vendo mais uma surpresa ocorrendo, surpresa esta que muitos jamais cogitariam e que tampouco faz parte das bolsas de apostas pelo mundo, a não ser por seus fanáticos torcedores: a Lazio, de Roma, está liderando a Série A italiana com quatro vitórias e um empate em seis jogos.
Após muitos anos de tribulações, falência, renascimento e alguns calcios ocupando posições intermediárias, inclusive com lutas para evitar o rebaixamento, temos realmente que estudar o que está causando a transformação sofrida pela atual equipe. Em uma liga em que figuram gigantes como Inter, Milan e Juventus, ferve a rivalidade com a Roma e existem equipes estáveis como Fiorentina, Udinese e Sampdoria e emergentes como Genoa, Palermo e Parma, convenhamos que a vida não é fácil para a Lazio.
Justo eles que iniciaram este século com o título italiano da temporada 1999/2000 – possuiam apenas um em 1973/1974, completando assim um século de história no auge. Possuiam um elenco com estrelas da seleção italiana e internacionais, com um time base de fazer inveja ao resto do mundo – Peruzzi, Negro, Fernando Couto, Nesta, Pancaro e Favali; Almeyda, Dino Baggio, Stankovic, Veron, Nedved e Poborski; Claudio Lopes, Crespo, Salas, Ravanelli e Simone Inzaghi, todos comandados por Sven Goran Eriksson. Logo em seguida, podemos entender que se iniciou o declínio, pois a Roma, que não conquistava nada havia também muito tempo, foi campeã comandada por Capello e com Batistuta brilhando em campo.
Já em 2003/2004 ocorre o desmanche do time – apesar do título da Copa da Itália, que vinha desde então capengando até a temporada 2008/2009, quando trouxe o polêmico atacante argentino Mauro Zárate para fazer companhia ao solitário Tommaso Rocchi e conseguiu novamente conquistar a Copa da Itália, o que não ajudou a equipe a se manter am alta no calcio. Na atualidade, mesmo após a saida de algumas “figurinhas carimbadas” como Kolarov, trocado pelo Manchester City pelo também lateral-esquerdo Javier Garrido e uma boa quantia em dinheiro, e Luciano Zauri, emprestado à Sampdoria, temos a manutenção da base da equipe somada a aquisição daquele que é considerado como a peça que faltava nesta engrenagem: o ex-sãopaulino Hernanes.
Agora vemos uma equipe permanecendo com a bola, atacando os adversários e fazendo valer o mando de campo, onde é auxiliada por sua fanática e barulhenta torcida. Pela naturalidade do futebol, o mais conveniente seria equipes como Inter e Milan ultrapassarem a Lazio até o meio da temporada, mas de repente poderemos ver a glória se estabelecer novamente na capital, fazendo ressurgir uma grande equipe, que fatalmente retomará seu lugar dentre os grandes italianos.
Expectativa de resgatar o passado
A temporada 10-11 do Calcio promete ser muito disputada ao contrário do que vinha acontecendo nos último anos, graças as contratações de grandes times que estavam em plena decadência e o investimento de times medianos o que pode acirrar ainda mais a disputa.
Apesar da expectativa, provavelmente teremos Inter e Milan brigando pelo scudetto com Juve e Roma correndo por fora. A Internazionale manteve o time campeão Europeu e tetra campeão italiano e embora tenha trazido apenas Phillipe Coutinho que ainda é uma promessa, continua sendo favorita ao título devido ao seu retrospecto e entrosamento.
O Milan apesar de todo o seu tamanho e tradiçao, surpreendeu a todos abrindo seus cofres para trazer Ibra e Robinho e conseguiu, pelo menos no papel, mudar muito a cara de seu time.
Seu ataque com Robinho, Pato, Ronaldinho e Ibra é sem dúvidas um dos mais fortes do mundo podendo lutar pelo título e Italiano e até o Europeu.
O que animou ainda mais os torcedores além das contratações de peso, foi a exibição de Ronaldinho Gaúcho na primeira rodada que correu, driblou, deu passe e até ajudou na marcação. Será que ele vai voltar a ser o que era?
Claro que o futebol não é uma ciência exata e tudo vai depender do entrosamento dos jogadores e principalmente do técnico Massimiliano Allegri conseguir dar padrão de jogo ao time.
Correndo por fora teremos a Roma que reforçou seu ataque com Adriano Imperador e Borrielo, teóricamete corrigindo uma das maiores dificuldades do time na última temporada, a falta de opções no setor ofensivo. De quebra ainda chegou Fábio Simplício que vinha fazendo boas temporadas desde que chegou na Itália primeiro no Parma e depois no Palermo e pode se tornar uma contratação interessante para compor o elenco.
A Juve deve lutar com a Roma pelo teceiro posto e para voltar a UCL, e apesar de perder Diego para o Wolfsburg por não se entender com o “dono do time” Alessandro Del Piero conseguiu tira Quagliarela do Napoli, Aquilani do Liverpool e Simone Pepe da Udinese, não foi bem na primeira rodada empatando com o fraquíssimo Bari mas sua tradição pode falar mais alto.
Os demais times são todos muito equilibrados e podem supreender. Os destaques ficam para os tradicionais Genoa de Rafinha, Miguel Veloso e Luca Toni, a Fiorentina de Gilardino, a Lazio de Hernanes e do manjado Tomaso Rocchi, o Napoli de Hamsik, Lavezzi e do recém contratado atacante Cavani e até a Sampdoria de Cassano.
Vamos esperar ansiosamente pra ver, afinal, o que todos nós fanáticos por futebol queremos é que o Calcio volte a ser grande como nos anos 80 e 90.
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